O idoso jogo de xadrez é repleto de tradição, com uma história que remonta a séculos. Antigamente, era um jogo puramente de resistência, um teste de paciência com batalhas titânicas que muitas vezes levavam dias para encontrar um vencedor.
Grande secção disso é verdade hoje, com a modalidade clássica do xadrez ainda proeminente no cenário global. No entanto, ela não está mais sozinha e talvez corra o risco de permanecer em segundo projecto.
Isso se deve à explosão de formas mais curtas de xadrez, que compilam todas essas tradições existentes em partidas curtas, que levam somente alguns minutos do início ao termo.
E, graças a organizações uma vez que a Chess.com e plataformas de streaming uma vez que a Twitch, o jogo agora está sendo cada vez mais jogado online — tanto que sua estreia está prevista para o final deste ano na Despensa do Mundo de eSports (EWC).
O torneio, sediado e parcialmente financiado pela Arábia Saudita, foi realizado pela primeira vez em 2024 e reuniu jogadores profissionais, editores e fãs do mundo todo para uma calmaria competitiva de jogos de oito semanas.
No início deste ano, foi anunciado que o xadrez seria incluído no evento, com os melhores jogadores do mundo competindo por um prêmio de US$ 1,5 milhão — jogando um novo formato considerado mais alcançável ao público de eSports.
Na tentativa de competir no novo evento, as principais equipes de eSports decidiram contratar alguns dos melhores jogadores de xadrez do planeta.
A Team Liquid, uma das maiores equipes de eSports, não se conteve e contratou o norueguês número 1 do mundo, Magnus Carlsen, e o americano número 2, Fabiano Caruana.
“Nós somos grandes fãs de xadrez, e acho que o principal motivo é porque há uma sobreposição considerável na demografia de jogadores e enxadristas”, disse o CEO da Team Liquid, Steve Arhancet, à CNN, acrescentando que o programa de televisão “O Gambito da Rainha” e os lockdowns provocaram um aumento na popularidade dos streamers de xadrez.
“Acho que agora as pessoas circulam pela Twitch e assistem a diferentes gêneros de teor, e entravam em um streamer de xadrez para observar a partidas e depois mudavam para uma partida de League of Legends. Acho que a polinização cruzada sempre nos interessou”, acrescentou.
A participação do xadrez na EWC finalmente ofereceu às organizações de eSports um argumento mercantil mais sério para investir no esporte, e pode ser um sinal do que está por vir. Também oferece ao xadrez outra oportunidade de crescer e capitalizar sua crescente popularidade.
Ralf Reichert, CEO da eSports World Cup Foundation (EWCF), que organiza a EWC, diz que unir o torneio com o mundo do xadrez é uma grande oportunidade para ambas as partes.
Reichert diz que a EWCF manteve conversas positivas com os principais jogadores e com o Chess.com, amplamente considerado o lar do xadrez online, antes de anunciar uma parceria de três anos que permitirá que as equipes realmente invistam no empreendimento.
Carlsen, considerado indiscutivelmente o melhor jogador de xadrez de todos os tempos, também concordou em trabalhar uma vez que emissário do crossover.
“Quando entramos em um jogo, quando entramos em qualquer ecossistema, queremos entrar nele, associar valor e ajudar a desenvolvê-lo”, disse Reichert à CNN.
“E o xadrez já é um ecossistema próspero — um dos esportes que mais cresceu nos últimos anos. Achamos que poderíamos dar a ele uma base sólida no ecossistema de eSports, especificamente no ecossistema de clubes, e essa foi quase a construção teórica por trás disso”, complementou.
O formato, porém, levou qualquer tempo para ser definido. O objetivo era produzir uma versão que se mantivesse leal à tradição, mas incorporasse elementos associados a jogos de eSports de ritmo veloz.
O resultado foi a geração de um formato 10+0, que daria a ambos os jogadores 10 minutos para fazer seus movimentos sem nenhuma chance de somar tempo suplementar, aumentando as chances de erros enquanto os jogadores lutam contra o relógio.
Exclusivamente 16 jogadores se classificarão para o torneio e garantirão sua vaga por meio do Champions Chess Tour, organizado pelo Chess.com.
“Isso o torna um pouco menos parecido com o xadrez tradicional, um pouco mais gamificado”, falou Caruana, atual número 5 do mundo, à CNN.
“Acho que haverá jogadores que não ficarão muito felizes com esse formato, e alguns que talvez gostem mais, e também alguns jogadores para os quais isso definitivamente beneficiará suas chances. Não posso expressar com certeza se isso beneficia as minhas”.
Caruana está entusiasmado para testar sua posição em mais um formato online — um pouco que está se tornando cada vez mais frequente para as estrelas atuais — mas entende que alguns no xadrez não ficarão felizes com o jogo se distanciando ainda mais da tradição.
O americano, que perdeu a final do Campeonato Mundial de Xadrez Clássico para Carlsen em 2018, ainda vê valor no formato clássico e quer “manter nosso legado histórico”, que tem “muito significado significativo”.
À medida que o xadrez continua migrando para plataformas online, ele prevê um porvir em que os melhores jogadores continuarão a dividir seu tempo entre todos os diferentes formatos, permitindo que eles diversifiquem seu treinamento.
“Acho que estamos vendo uma mudança universal para patrulhas de tempo mais rápidas, o que também é motivado em grande secção pelas preferências dos jogadores e talvez também pelo mercado, porque a maioria das pessoas, presumo que do lado do testemunha, quer ver formatos mais rápidos, e você poderia esgrimir que são mais dinâmicos e emocionantes”, diz ele.
“Isso já vem acontecendo há muito tempo. Acho que a ingressão do xadrez nos eSports é somente mais um passo nessa direção, mas já estávamos caminhando nessa direção”.
A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) ainda é considerada o lar do xadrez clássico, mas seu CEO, Emil Sutovsky, disse à CNN que a entidade que regulamenta o jogo apoia a parceria com os eSports.
Ele diz que a FIDE esteve envolvida nas primeiras conversas com a EWCF, antes que o Chess.com se tornasse o parceiro procedente para sediar a EWC.
“Não somos, digamos, somente testemunhas silenciosas do que está acontecendo”, diz Sutovsky. “A FIDE tem uma posição dupla. Nem todos os eventos de xadrez precisam ser regulamentados pela FIDE, a menos que sejam Campeonatos Mundiais. Para nós, é importante que, se o xadrez tiver uma maneira de se expor a públicos mais amplos, as novas parcerias, as novas entidades comerciais, isso seja muito bem-vindo, porque toda a comunidade enxadrística será beneficiada”.
Assim uma vez que Caruana, porém, Sutovsky diz que a FIDE sempre buscará manter os valores do xadrez clássico e não perderá o contato com as principais tradições do jogo.
Ele também diz que a Arábia Saudita pode muito muito inaugurar a sediar mais eventos importantes da FIDE em um porvir não muito distante, para atingir públicos mais amplos e mais jovens.
“Ao tentarmos ser zeitgeisty e populares, não podemos e não devemos negligenciar a tradição única e a origem do xadrez”, acrescenta. “Não acreditamos que o xadrez clássico irá desvanecer tão cedo e certamente não tentaremos contribuir para isso”.
Embora o EWC seja o evento de destaque da irrupção do xadrez nos eSports, parece que ainda estamos no início do que pode ser um porvir lucrativo para ambas as partes.
Arhancet, da Team Liquid, consegue ver o potencial e já conversou com o Chess.com sobre uma vez que colaborar no porvir. Ele ficou particularmente entusiasmado ao falar com patrocinadores que consideram o grupo demográfico do xadrez uma perspectiva “muito interessante”.
“Estamos somente começando”, prometeu Arhancet. “Para nós, o tempo dirá o quão lucrativo ou bem-sucedido leste empreendimento será, mas o início é que tomamos algumas decisões realmente ótimas sobre nos envolver com xadrez na estação em que o fizemos”, finalizou.



